segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"lembrar só por lembrar"

.(ou adeus são paulo)

"Andar e pensar um pouco, 
que só sei pensar andando.
Três passos, e minhas pernas já estão pensando. 
Aonde vão dar estes passos?
Acima, abaixo? 
Além? Ou acaso 
se desfazem ao mínimo vento sem deixar nenhum traço?" (leminski)



saudade... às vezes sinto algo parecido com a saudade. Certa vez ouvi uma fábula que dizia que a saudade é a filha única d'o Amor' com 'a Ausência'. Lírico. Sei que o que sinto às vezes não é saudade, porque às vezes eu também sinto saudade. Quando se sente saudade, sabemos [!?] o que nos falta. Pelo menos temos uma pista... às vezes meu coração aperta, é coitado de mim, nem sei o que me falta. Na verdade, desconfio que não falta nada. Não chega a ser nostalgia também, pois também sinto nostalgia [que para mim, nada parece ser além de saudade generalizada e massiça]. Ou melhor, saudade parece ser de algo pontual: um amigo, uma casa, uma roupa, um amor, um lugar...nostalgia, pelo que me parece, é amar um conjunto todo ausente. É sentir falta do pacote completo. Saudade é um poema, uma fotografia. Nostalgia é um romance, um longa metragem. A Nostagia perece ser algo dialético... é ficar feliz em lembrar de algo que já foi e ao mesmíssimo tempo, ficar triste sem motivo aparente. Nem a tristeza e nem a alegria se sobressaem...ficam homogêneas, bem misturadas. Quem escuta Bossa Nova ou Rock Grunge entende esta besteira que tentei explicar perfeitamente. Sabe o que é ficar 'feliz' por ser triste, ou ficar triste por 'ser feliz'. Hoje saí sozinho. sair sozinho tem algumas vantagens. Primeiro, você toma toda é qualquer decisão, a mais simples e efêmera que seja, é és dono da verdade. Não precisa consultar nínguém para executá-la. Segundo, sozinho ficamos mais abertos a conhecer pessoas novas. não temos 'um companheiro' para dar atenção e/ ou monopolizar assuntos já comuns a nós mesmos. Além disso, nos momentos mais gerais, podemos pensar e pensar, sem ter que compartilhar com alguém ou ser interrompido por um comentário d'o companheiro'. Andar sozinho: conhecer à si mesmo. Dancei, conversei e bebi. tudo na proporção exata da minha soberba. Paguei minha comanda e enquanto esperava um taxi, percebi que comecei a andar impaciente, e depois das duas 'idas e voltas' pelo mesmo lugar resolvi concentrar meu passos no sentido de casa. andei bastante. Mas até queria andar mais. Andei, e ao andar, me permeti pensar e observar "São Paulo". senti saudade antes de partir e já imaginei como a coisa toda estaria quando eu voltasse. Pela primeira vez dei por mim das coisas que deixaria por aqui e tive medo. Maior que o medo, foi a saudade...e quando menos esperava, eu comecei a rir...e imaginava o que estaria ou não por vir. Só depois de alguns momento percebi: senti saudade, nostalgia e algumas coisas que não são nenhuma nem outra, mas sentimentos eu sei que são. A rigor arrisco falar, por um momento eu "senti": sinestésico, cromático, polifônico e metropolitano...porém, randômico. Adeus ruas que andei. Nos vemos por aí.