sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

.uma semana

(ou importante exílio)


.uma semana. Se eu dissesse que o tempo nunca me pareceu tão relativo, seria mentira. Uma semana frente a um ano parece pouco. Uma semana para quem tem alguns minutos, não resolve em alguns casos, mas é bastante coisa. Jé foi (ou não foi) bastante coisa pra mim. O que é o passado, além de resquícios de coisas que mal lembramos direito? É algo mais que as impressões – alegres e tristes –, daquilo que deixamos para trás entre folhas e gestos? O que foi um segundo atrás? O que vestimos ontem? O que comemos semana passada? Nostalgia era a mesma coisa no ano passado? Quem amamos no verão à cinco anos atrás? E a dez anos, o que nos deixou triste? E o futuro? ...tão virtual quanto 'o' passado, não passa de sonhos e fumaças que anseiamos e esperamos com o risco de acertar ou nos decepcionar com mesma proporção se nem mesmo tivéssemos planejado/esperado?

Uma semana e tudo.

Uma semana e nada.

Já o presente é muita coisa...para definí-lo, é só juntar o passado e o 'esperado' futuro e milhares de tantas coisas que talvez eu nem saiba dizer.

Saudade é fato.

Mas pela primeira vez, estou me conhecendo...talvez amanhã eu vá ver o mar.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"lembrar só por lembrar"

.(ou adeus são paulo)

"Andar e pensar um pouco, 
que só sei pensar andando.
Três passos, e minhas pernas já estão pensando. 
Aonde vão dar estes passos?
Acima, abaixo? 
Além? Ou acaso 
se desfazem ao mínimo vento sem deixar nenhum traço?" (leminski)



saudade... às vezes sinto algo parecido com a saudade. Certa vez ouvi uma fábula que dizia que a saudade é a filha única d'o Amor' com 'a Ausência'. Lírico. Sei que o que sinto às vezes não é saudade, porque às vezes eu também sinto saudade. Quando se sente saudade, sabemos [!?] o que nos falta. Pelo menos temos uma pista... às vezes meu coração aperta, é coitado de mim, nem sei o que me falta. Na verdade, desconfio que não falta nada. Não chega a ser nostalgia também, pois também sinto nostalgia [que para mim, nada parece ser além de saudade generalizada e massiça]. Ou melhor, saudade parece ser de algo pontual: um amigo, uma casa, uma roupa, um amor, um lugar...nostalgia, pelo que me parece, é amar um conjunto todo ausente. É sentir falta do pacote completo. Saudade é um poema, uma fotografia. Nostalgia é um romance, um longa metragem. A Nostagia perece ser algo dialético... é ficar feliz em lembrar de algo que já foi e ao mesmíssimo tempo, ficar triste sem motivo aparente. Nem a tristeza e nem a alegria se sobressaem...ficam homogêneas, bem misturadas. Quem escuta Bossa Nova ou Rock Grunge entende esta besteira que tentei explicar perfeitamente. Sabe o que é ficar 'feliz' por ser triste, ou ficar triste por 'ser feliz'. Hoje saí sozinho. sair sozinho tem algumas vantagens. Primeiro, você toma toda é qualquer decisão, a mais simples e efêmera que seja, é és dono da verdade. Não precisa consultar nínguém para executá-la. Segundo, sozinho ficamos mais abertos a conhecer pessoas novas. não temos 'um companheiro' para dar atenção e/ ou monopolizar assuntos já comuns a nós mesmos. Além disso, nos momentos mais gerais, podemos pensar e pensar, sem ter que compartilhar com alguém ou ser interrompido por um comentário d'o companheiro'. Andar sozinho: conhecer à si mesmo. Dancei, conversei e bebi. tudo na proporção exata da minha soberba. Paguei minha comanda e enquanto esperava um taxi, percebi que comecei a andar impaciente, e depois das duas 'idas e voltas' pelo mesmo lugar resolvi concentrar meu passos no sentido de casa. andei bastante. Mas até queria andar mais. Andei, e ao andar, me permeti pensar e observar "São Paulo". senti saudade antes de partir e já imaginei como a coisa toda estaria quando eu voltasse. Pela primeira vez dei por mim das coisas que deixaria por aqui e tive medo. Maior que o medo, foi a saudade...e quando menos esperava, eu comecei a rir...e imaginava o que estaria ou não por vir. Só depois de alguns momento percebi: senti saudade, nostalgia e algumas coisas que não são nenhuma nem outra, mas sentimentos eu sei que são. A rigor arrisco falar, por um momento eu "senti": sinestésico, cromático, polifônico e metropolitano...porém, randômico. Adeus ruas que andei. Nos vemos por aí.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

.solidão acompanhada

(ou pegar ônibus em São Paulo)




.assim... dia destes me peguei pensando na dinâmicas entre os estados da máteria. Não nisso em si, mas em paulistanos (em especial) e pessoas de outros lugares. Eu conheço pelo menos metade das capitais do país. Andei de ônibus em todas elas. Tenho uma teoria: se você quer conhecer um lugar de verdade, esqueça os passeios turísticos. Se você tiver tempo e dinheiro no final da viagem, você até pode visitá-los. Mas se você quer realmente conhecer um lugar, você tem que entrar na rotina das pessoas do lugar, frequentar os lugares que elas vão quando querem se divertir, quando querem descansar, etc e tal. Logo, mesmo se tenho jeito de me locomover no lugar que visito de outro meio que não transporte público, eu indubitavelmente uso transporte público. Adoro sentar na janela e olhar atentamente a arquitetura e disposição das coisas, a dinâmica dos indivíduos e tudo em torno do dinâmica do lugar. Algo me chamou atenção, não nos lugares que visitei, mas aqui em São Paulo mesmo. Percebi que em praticamente todos os lugar que fui as pessoas sempre sentam do meu lado no ônibus e puxam assunto (até em curitiba, cidade com fama de gente sisuda e mal educada). Em São Paulo não. Talvez a frieza e a hiper-individualidade que a vida numa megalópole tenha feito dos paulistanos pessoas desconfiadas e agudas. Além disso, todo paulistano sempre está atrasado e concentrado nos infinitos afazeres que têm(os) que fazer. Primeiro, porque um paulistanos só senta ao lado de outro quando outras opções estam esgotadas; às vezes até preferem ficar de pé. Se pensarmos no ônibus como um recipiente, os paulistanos sem sombra de dúvida seriam como um gás. Ao ser solto dentro do recipiente, se espalha simetricamente ocupando todo o ambiente, se desconcentrado e ficando ralo. Já as pessoas nos outros lugares do Brasil que estive pareciam como água. Sempre concentrada e com uma (falsa) tensão superficial. Ao ser colocada no recipiente, tende a ficar junta, e se for no nordeste então, fica concentradíssima. Os paulistanos geralmente são fechados; modelo de paulistano padrão: óculos de sol, MP3 ou lendo concentrado algo (muitas vezes as três coisas juntas). Todas as chances de anular o que acontece em torno dele mesmo em lugares públicos são utilizadas. Quase zero a dinâmica social, além da mínima inevitável. Os paulistanos vivem sozinhos. Cerca de 19 milhões de pessoas sozinhas juntas. Os paulistanos são idiotas (no sentido grego da palavra).  

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

.métdodo

(ou no que venho pensando nos últimos anos)





.às vezes me pego pensando sobre essa inconstância das coisas. Não as coisas materiais, porque essas nunca nos traem, mas as coisas envolvidas na natureza humana e as relações que construímos e anseiamos construir. Me incomoda essa alegria das pessoas, essa alegria torpe e barata. Mas por outro lado, pessoas que vivem se auto-depreciando soam me piegas e idiotas. Na verdade, sofro uma grande tendência de achar 90% dos seres humanos medíocres (e estou sendo otmista com o outro lado possuindo 10%), e o pior, sempre sou eu (eu mesmo) que encabeço a lista dos mais idiotas e estúpios. Porque estou pensando nisso mesmo? Queria poder me embriagar de vida, como certas pessoas. Só me restou me embriagar por causa dela. A certo tempo, toda uma busca utópica e ansiosa pela felicidade se foi. Percebi que tal meta tinha me assolado porque estava apaixonado pela busca em si. Apaixonado não, seduzido. Aí caiu a ficha. Nasci sozinho e vou morrer sozinho. Triste e sair de um ponto pro outro sozinho. Mas essa porra de vida não tem ensaio e acabo de descobrir que tenho gastado boa parte disso tudo só no making off. Embora, magoado e maduro, vale:


"Ir a Ítaca é importante. Mas importante ainda é o caminho até lá".

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

.despertar para um finício-pt1

(ou minhas novas memórias de trás pra frente aos poucos)



.às vezes eu acordo pensando em algo específico. Poucas vezes, pois a maior parte do tempo eu acordo preocupado com o horário, calculando quanto tempo tenho e tudo que tenho que fazer nesse tempo. E como quase sempre o tempo é curto, não consigo pensar em nada livremente. Meu pensamento alterna entre meus compromissos em si e o tempo que tenho para estar neles, e assim a cada 5 minutos aproximadamente, me pego recalculando alguma parte das coisas que tenho pra fazer, ou o tempo que tenho que gastar nelas e coisas do tipo. Quase sempre estou atrasado. Admiro meus amigos que nunca estão atrasados. São poucos. Às vezes desconfio se eles realmente nunca estão atrasado. Pelo menos não aparentam, ou quem sabe, não sabem. É muito gostoso acordar pensando despreocupadamente em algo espécifico. É engraçado, pois o tempo todo, nossa mente parece estar num brainstorm. Quando acordamos pensando, além de não conseguir encontrar o ínicio do pensamento, ele parece ser livre de digressões e relações com outras coisas. Sei lá, talvez seja um despertar suave, e a mente só continua lidando com algo que nosso inconsciente estava maquinando enquanto dormiamos. É um pensamento suave. Hoje eu acordei assim. Pensando em algo específico. Embora saiba isso, não me lembro exatamente no que estava pensando. Deveria ser algo bom. Meu dia foi bom.