sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

.solidão acompanhada

(ou pegar ônibus em São Paulo)




.assim... dia destes me peguei pensando na dinâmicas entre os estados da máteria. Não nisso em si, mas em paulistanos (em especial) e pessoas de outros lugares. Eu conheço pelo menos metade das capitais do país. Andei de ônibus em todas elas. Tenho uma teoria: se você quer conhecer um lugar de verdade, esqueça os passeios turísticos. Se você tiver tempo e dinheiro no final da viagem, você até pode visitá-los. Mas se você quer realmente conhecer um lugar, você tem que entrar na rotina das pessoas do lugar, frequentar os lugares que elas vão quando querem se divertir, quando querem descansar, etc e tal. Logo, mesmo se tenho jeito de me locomover no lugar que visito de outro meio que não transporte público, eu indubitavelmente uso transporte público. Adoro sentar na janela e olhar atentamente a arquitetura e disposição das coisas, a dinâmica dos indivíduos e tudo em torno do dinâmica do lugar. Algo me chamou atenção, não nos lugares que visitei, mas aqui em São Paulo mesmo. Percebi que em praticamente todos os lugar que fui as pessoas sempre sentam do meu lado no ônibus e puxam assunto (até em curitiba, cidade com fama de gente sisuda e mal educada). Em São Paulo não. Talvez a frieza e a hiper-individualidade que a vida numa megalópole tenha feito dos paulistanos pessoas desconfiadas e agudas. Além disso, todo paulistano sempre está atrasado e concentrado nos infinitos afazeres que têm(os) que fazer. Primeiro, porque um paulistanos só senta ao lado de outro quando outras opções estam esgotadas; às vezes até preferem ficar de pé. Se pensarmos no ônibus como um recipiente, os paulistanos sem sombra de dúvida seriam como um gás. Ao ser solto dentro do recipiente, se espalha simetricamente ocupando todo o ambiente, se desconcentrado e ficando ralo. Já as pessoas nos outros lugares do Brasil que estive pareciam como água. Sempre concentrada e com uma (falsa) tensão superficial. Ao ser colocada no recipiente, tende a ficar junta, e se for no nordeste então, fica concentradíssima. Os paulistanos geralmente são fechados; modelo de paulistano padrão: óculos de sol, MP3 ou lendo concentrado algo (muitas vezes as três coisas juntas). Todas as chances de anular o que acontece em torno dele mesmo em lugares públicos são utilizadas. Quase zero a dinâmica social, além da mínima inevitável. Os paulistanos vivem sozinhos. Cerca de 19 milhões de pessoas sozinhas juntas. Os paulistanos são idiotas (no sentido grego da palavra).  

2 comentários:

  1. é assim nas grandes megalópoles. Em New York, costumávamos chamar de: "I´m living in new york´s minute".

    mas eu gosto dessa solidão de cidade grande. do caos, da bagunça, e der ser estúpida, as vezes.

    Acho que todos os seres humanos, "indubitavelmente", são estupídos de alguma forma.

    bjos!

    OBS. indubitavelmente aquece a coloquialidade do (seu) texto! rs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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